quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Independência (ou morte)?

Imagem: google


Hoje, dia da Independência do Brasil.
E eu fico me perguntando: que independência?

A cada nova notícia nos jornais e nas redes sociais,
minha inconformação aumenta.
Vejo estampada a notícia de um abuso sexual num coletivo.
E nada fez a justiça para punir o indivíduo.
Quatro dias depois, o mesmo "homem" repete o ato contra outra mulher.

E o mesmo se repete em outro Estado mais alguns dias depois.
Ambos os casos são reduzidos a nada, a pó.
A uma insignificância sem dó.
Pois os sujeitos "responderão" em liberdade.

Quanta impunidade!
O ato em si não atinge apenas àquelas mulheres.
Mas a todas nós.
Que temos nossa liberdade ameaçada a cada segundo.
Poder? Podemos. Sempre poderemos mais.
Não deixaremos de lutar.

Mas, como prosseguir?
Se de plenos poderes gozam Legislativo, Executivo e Judiciário.
E como ficamos nós?

Exploradas/os a cada dia.
A cada dia desatando nós.
Tolhendo vontades.
Cortando gastos.
Comendo o necessário
para não morrer de fome.

Sem nome. Só números.
Estatisticamente comprovados.
Como os daqueles/as negros/as e favelados/as.
Que são mortos/as ou detidos/as mesmo sem terem cometido crime algum.
A cor da pele como justificativa.
De que?

Mas, falando em números,
os de ontem me deixaram ainda mais chocada.
Em muitas malas estavam (guar)dados muitos milhões.
51 MILHÕES de reais, para ser mais exata.

E mais uma vez meu coração se parte em milhões de pedaços.
Ao refletir que com tanta coisa esse dinheiro poderia ser gasto.
Dinheiro que é nosso. Dinheiro que é do povo. Dinheiro. Muitos.

De cá, apenas assistimos
nossos direitos serem tomados.
Basta uma canetada e está consumado.
20 anos de cortes em investimentos na população.

Bem que poderiam clamar não por "ordem e progresso", mas por Ordem no Congresso.

Só sei que nosso povo trabalhador,
com o suor de seu labor
leva para casa ínfimos novecentos e poucos reais por mês.
Para alimentar muitas bocas e alguns ideais.
Ideiais e sonhos.

Como o sonho de ver filhos/as, netos/as e sobrinhos/as com diplomas na mão.
Para quem sabe no futuro conseguirem colocar no papel aquilo que seus pais, mães, avôs, avós, tias e tios não conseguiram.
Para quem sabe usarem a caneta e
reescreverem uma nova história.

Uma história de libertação.
Uma história sem opressão.
Uma história sem corrupção.

Uma utopia? Talvez.
Talvez uma utopia mais uma vez.
Mas, vivemos de utopia.

Pois que a história fala que somos independentes.

Mas continuo a me perguntar: que independência?

Marcilane Santos,
07 de setembro de 2017.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Resistência



https://www.google.com.br/


Eu achei que morreria de raiva
Não morri
Achei que morreria de tédio
Não morri
Achei que morreria de rancor, de tristeza
Não morri
Então morrer é difícil?
Não, não é
Um turbilhão de emoções negativas
mata-nos vagarosamente
Todos os dias

Resista!

Marcilane Santos, 01/08/2015.

........
Uma resistência que não é a negação do que se sente,  mas que também ainda não é o grito de socorro. É uma resistência que se faz necessária. Ainda que tímida, é preciso que seja nutrida.

Você não deixa de ser forte quando revela suas dificuldades ou quando pede ajuda. Aliás, reconhecê-las é sinônimo de força!

Imagem: Internet.

domingo, 19 de março de 2017

A caixa

Uma poesia/música sobre as sorrateiras formas de escravidão vivenciadas na atualidade.


"A CAIXA"

Escraviza-te.
Escraviza-te por uma pequena caixa,
uma caixa fria e rasa.
Escraviza-te e esquece-te daquilo que é real
e importante, do físico, do que é profundo.
Escraviza-te veemente e conscientemente por aquilo que te faz bem transitoriamente.
Escraviza-te e te tornas frio como a caixa.
A caixa que contém muitos mundos, vozes e faces.
A caixa que mal sabe teu nome, que dirá teus sentimentos!
Ela só sabe daquilo que demonstras por fora, mas não entende teus pensamentos.
Sempre que desejares presenças reais, deixes a caixa de lado e com certeza, te surpreenderás.

Marcilane Santos, 07/05/16.



Imagem: http://soumaislive.com.br
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